Can you find the Moon?

Permalink Capítulo 4 (A espera)
Trilha Sonora: Evanescence - Even in Death (versão ao vivo)
” Tornei-me um fantasma da noite  Por uma lua que não surgia de dia  Separei cada uma de minhas madrugadas  Pelo silêncio do nosso amor  Sobrevivi mantendo meus sonhos acordados  E minha palavras já não me servem mais  Quando tudo em mim é apenas devoção  São nossos beijos há tanto tempo calados  Sem direito de reclamar solidão” 
A intensidade feminina nos sentimentos e no posicionamento de Melissa afastaram o Anjo por um simples momento. Ainda sim, o suficiente. Ações femininas normalmente recortam o fluxo tradicional e conservador das coisas. O Anjo se foi por um auto-julgamento orgulhoso no qual resumiu em palavras como: ” O Garoto Mudo é uma responsabilidade minha e vou recuperá-lo sozinho”.
-E ainda tem capacidade de me chamar de presunçosa…
Melissa olhava para o mar completamente desacompanhada. Gastou alguns minutos aguardando pelo retorno do Silêncio que mesmo em sua ausência, fazia-se presente como trocadilho. Sucumbindo seus desejos frustrados em uma beira de mar qualquer, lembrou-se do incontável número de vezes que o Espantalho sorteou com a eternidade a incansável espera pela sereia lançando pétalas ao vento por um “bem-me-quer”;
-Quanta ironia… - Melissa ergueu-se rapidamente - Quando foi que a malícia se infiltrou e a desconfiança passou a ser um estado de espírito entre nós? E você, “Rainha Lua”, o que pode fazer enquanto olha por nós aí do céu? Se tentou nos ajudar mostrando a rosa, pode tentar me ajudar mostrando o caminho? Poderia utilizar a luz do sol ao meu favor?
Enquanto suas esperanças se afogavam entre as ondas, indo cada vez mais fundo, a insegurança rolava pela areia como se fosse criança.
-Talvez você não saiba… Mas a insegurança sorri para mim cada vez que você não me responde. 
A luz da lua diminuiu significativamente.
-Vai chegar um momento que das duas, uma: Ou a insegurança me levará embora ou eu a levarei embora. Nas duas situações você se encontrará sozinha, por isso tente fazer algo pelo Garoto Mudo antes que seja tarde demais e antes que o nosso mundo em comum passe a não possuir uma lua também.
Melissa soltou os cabelos de frente para o mar com um ar de desânimo.
-Não quero fazer da espera um motivo ou uma desculpa para o que possa vir acontecer. Nós cinco estamos em guerra e não sou eu quem vai esperar por você. A espera é um vício do Espantalho assim como a paciência é uma virtude do Silêncio.
O desejo de não esperar, subia nas costas do receio e fazia dele o que bem entendia. Melissa fugia, ia de encontro ao mar que tanto temia e por mais que negasse a espera, mesmo na morte, era para a lua que o seu amor sempre sorria.
Se a espera tivesse um nome, seria ironia.
Permalink Capítulo 3 (Desejo de Fuga)Trilha sonora: I just died in your arms tonight - Northern Kings 
O tempo não teve chances de calcular a curiosidade do Garoto Mudo. Sua inocência agarrou a rosa branca e entre os seus dedos, mesmo sem espinhos, a rosa o derrubou. O Anjo se aproximou rapidamente enquanto o corpo de criança pingava na areia molhada.Melissa posicionou a cabeça do Espantalho no chão e sem tempo para dramas correu em direção aos outros.-O que aconteceu?! O que foi isso?! - gritou o Anjo.
-A rosa… - analisou Melissa enquanto tocava o rosto do pequeno garoto - Trata-se de um símbolo.
-Foi a lua quem fez isso?!
-Não, a rosa veio do mar…
-Então porque a lua nos mostrou a rosa?!
-Talvez para nos avisar de algo…
Melissa lançava olhares por todos os cantos procurando evidências.
-Eu sabia que não devia ter te dado ouvidos… Ele é muito frágil. - rosnou o Anjo.
-Vai dizer que a culpa é minha agora? - Melissa não parava de raciocinar enquanto mantinha o diálogo com o Anjo.
-Não, claro que não. A culpa é do Silêncio que está no fundo do oceano… O que você acha?
Enquanto o Anjo ironizava e propunha um culpado, Melissa observava deslizando pela maresia, um pedaço de ser flutuante e delicado. Facilmente familiar. Sua memória tocou seus ouvidos enquanto seus lábios deram tom ao segredo;
-Libélula…
-O que foi que você disse? - O Anjo interrompeu o próprio discurso.
Melissa apenas apontou enquanto seus olhos seguiram o fluxo do seu caminho pelo ar como se fosse um rascunho em busca de seu traço final.
-Vocês estão pensando demais. - A libélula pousou no ombro do Espantalho.
-Ele não estava dormindo?! - gritou o Anjo com o garoto em seus braços.
-Não é possível… Eu tenho certeza que ele estava.
-Morrer em seus braços periodicamente não me mantém inativo, Melissa. Você deveria saber disso.
-Foi a libélula… - Constatou o Anjo - Você adormeceu apenas o Espantalho.
-Que ridículo! A libélula é apenas uma criação do mundo imaginário que pertence a ele!
-Ela era… - cheio de areia pelo corpo, o Espantalho marcava bem as sílabas enquanto permanecia praticamente sem movimentos - Mas agora ela é uma das minhas personalidades.
-Por que você está dizendo esse tipo de…
-Porque você não cala a boca um pouquinho e me ouve; Só desta vez Melissa, eu prometo! - as palavras ásperas do Espantalho não davam escolha para os outros - A rosa foi um convite. Um convite para o meu mundo. Um mundo muito maior do que esse pedaço inútil de areia e esse horizonte cheio de água… O Garoto Mudo não está mais aqui, esse corpo é apenas carcaça, não serve mais para nada. Não passa de uma memória volátil que some da mente com o tempo.
Pela primeira vez o Espantalho bateu a areia que estava no seu corpo.
-As minhas outras personalidades estão cuidando dele… Ah, sim! Antes que vocês fiquem cheios de dúvidas: “Eu sou uma personalidade que possui outras personalidades” , mas fiquem tranquilos porque eu não sou o único. Meu amigo Silêncio tem a mesma capacidade… Talvez porque não sejamos tão específicos quanto vocês ou talvez porque não somos herança dos sentimentos, e sim um produto da reflexão…
O Espantalho abaixou e apertou um tanto de areia com seus dedos de palha.
-E Melissa… Por favor, não me venha com esse papo de que juntos não somos um inteiro.
-Seu pretensioso, acha mesmo que consegue ser um inteiro só porque possui outras personalidades em seu mundinho esquizofrênico? Raptar o garoto no momento mais fraco de sua vida foi tão covarde quanto sabotar as outras partes de você mesmo criando um mundo paralelo no qual apenas suas vontades prevalecem. Isso para mim não é ser um inteiro… É ser um egoísta que não respeita nem a si mesmo. - Em passos irritados, Melissa encarava o Espantalho enquanto ficavam cada vez mais próximos.
-Eu não raptei o garoto… E não expulsei a Lua. Aliás, lembre-se eu sou aquele que nem queria matar a sereia. Não pode me culpar de instinto assassino, eu nunca tentei matar ninguém.
-Não me faça entrar no seu mundo e destruir cada uma dessas ilusões que você chama de personalidades! - ameaçou, o Anjo.
-Seu Anjo bobo… O que tem feito para proteger o Garoto Mudo ultimamente? Até a Lua é mais persuasiva que os seus cuidados… Ah, claro! Permita-me citar: Já que você falou de ilusões, eu gostaria que vocês soubessem que não há lua no meu mundo. Afinal, o luar nada mais é do que um reflexo do sol… Tão inseguro… Que só consegue brilhar para os outros com a luz alheia.
A libélula pousou na palma da mão do Espantalho que abria um sorriso enquanto finalizava seu discurso.
-Se a Lua quiser, que venha até o Garoto Mudo. Com brilho próprio ou alheio, pouco importa… Só sei que perdi muito tempo correndo atrás da Sereia e ninguém mais aqui vai perder tempo com ideais corrompidos. É tempo de ir devagar com o amor…
O Espantalho desapareceu subitamente como se fosse um vilão de desenho animado. Ao mesmo ritmo, no compasso seguinte; O corpo do Garoto Mudo esvaiu-se dos braços do Anjo como dito anteriormente.
-Eu disse para você que eu devia cuidar do Garoto! Eu disse! - protestou o Anjo - A culpa é sua por isso ter acontecido! Estava tudo ótimo antes de acordarmos o Silêncio e antes de você achar que tinha controle sobre o Espantalho! Como você pode ser tão presunçosa?! Ah, eu devia saber! todos devíamos saber! Conhecemos o Espantalho!
-Não fui presunçosa, só agi com amor e instinto materno… Não compreendo o que faz você imaginar que eu em algum aspecto desejo ter domínio sobre vocês. Isso nem passa pela minha cabeça.
-Você não pode se achar a mãe de todos nós! Ninguém aqui te deu esse direito…
-Anjo, eu estou pouco me fodendo para os seus preconceitos… Mas uma coisa eu vou deixar bem claro e espero que você faça uso da sua sabedoria e cale a boca para ouvir isso;
Havia um tipo de expressão no rosto de Melissa que o Anjo não gostaria de ter contra si e se constrangia só de encará-la com o canto dos olhos. 
-Se o Espantalho quer guerra… Será sentido literal o que ele tratou como figurado: Ele morrerá nos meus braços.
Permalink Capítulo 2 (Como um garoto mudo que corre para a Lua)
Trillha sonora: Lillium - Elfen Lied
Várias horas se passaram enquanto o mundo se perdia em pensamentos. O dia se calou com a chuva e a luz adormeceu com as nuvens negras que borraram o céu transformando tudo em uma grande escuridão.
-Será que o Silêncio está bem? - perguntou o Anjo quase sem enxergar Melissa devido a escuridão.
-Não sei, ainda consegue sentir a Sereia?
-Não, eu nunca senti a sereia. Isso é coisa do Espantalho… Mas e você, Melissa? Já sentiu a Sereia alguma vez?
-Não muito. Poucas vezes o Espantalho a desejou sexualmente. 
Enquanto ambos conversavam, o Garoto Mudo estava sentado olhando para o mar como se pudesse enxergar algo em toda aquela escuridão. 
-Ele olha para lá como se algo fosse surgir da escuridão. - debochou o Anjo. 
-Por que debochar do pequeno? As grandes viradas acontecem sempre em sentidos opostos. Talvez ele encontre a salvação no meio da escuridão…
-Que papo deprimente, Melissa. Você já foi melhor.
-Deprimente? Longe de mim. Não gosto dessas coisas. Mas você deveria saber muito bem que os grandes tesouros não estão escondidos apenas na luz. Muitas vezes a luz apenas nos distrai… Tantas vezes na minha vida eu me senti feito mariposa e não consegui me desvencilhar do vício da luz.
-A luz não é vício… Ela é essencial para a sobrevivência e interação do ser humano.
-Não fale pelos humanos se você é apenas um anjo.
-Não falo pelos humanos, apenas os compreendo. - rebatou o Anjo em tom de discussão.
-O Garoto Mudo é que temos de mais humano em nós. Se você de fato compreendesse os humanos, não debocharia dele nem se apoiaria nos seus grandes conceitos de superioridade para criticá-lo.
-Eu estou cuidando dele desde o começo, não fiz nada de errado. Mas de qualquer forma não vou discutir…
-Ah, claro. Vai fazer o quê? Impedir que ele leve um tombo novamente? Afastá-lo da escuridão de seu coração? Protegê-lo da vida até que ele não sobreviva o suficiente e morra sem nunca ter se sentido vivo?
-Minha função é cuidar das pessoas. Já discutimos isso diversas vezes.  - O Anjo levou uma das mãos à cabeça - Meu objetivo é não permitir que as pessoas se machuquem… Você sabe disso.
-Os anjos de verdade deviam proteger a essência e a evolução das pessoas… Não apenas seus corpos e sentimentos… Mas perdoe-me, isso é apenas o que eu acho, talvez o que eu procuro para o Garoto Mudo não seja um anjo, talvez ele precise de outra coisa.
Os dois não disseram, nem pensaram nada por longos instantes.
A escuridão parecia abraçar todas as coisas quando uma rachadura entre as nuvens permitiu que uma luz prata cintilasse o branco entre a espura das ondas. O mar estava ansioso fazendo muito barulho.
Não se sabe ao certo se foi por um movimento da luz ou se foi por um descuido das ondas, uma rosa branca agarrou-se na areia enquanto a praia refazia seu eterno ciclo. Os dedos do Garoto Mudo coçaram-se de curiosidade e seu tato não traiu suas vontades. Uma rosa branca sobre a luz da lua nas mãos de um garoto que em sua inocência jamais se apaixonara sozinho.Como vítima ou passageiro dos sentimentos alheios, o pequeno sempre foi tentado a submeter-se a persuasão dos outros quatro. Não que ele não tivesse nascido para as paixões, todavia seu fluxo de sentimento era puro e verdadeiro, sem malícias.-Eu não posso crer que isso esteja acontecendo… - balbuciou o Anjo estagnado.
-Eu sempre soube que a vez dele chegaria, só não imaginei que tão depressa… - Melissa sorriu - E o fluxo do meu trabalho continua…
O Anjo e a Cortesã entreolharam-se.
-O que foi que ele viu na lua? - criticou o anjo - Ela está distante, bem além do nosso firmamento, vai nos retribuir menos que a Sereia e ela nem sequer fala ou tem luz própria!
-Não subestime os poderes da lua, meu querido Anjo. Por mais inseguro que você esteja, não se preocupe. Continuaremos cuidando do pequeno, mesmo sem o Silêncio e o Espantalho para nos dar apoio.
O mar da vida trouxe a beleza de uma rosa estampada sobre a face da luz da lua. O Garoto não pode se defender como não quisera fazê-lo em nenhum momento. Assim como o céu quando toca o mar vira firmamento, o amor de um Garoto Mudo abriu seu coração com o tempo;Nenhum dos quatro sabia, mas a inocência converte todo tipo de sentimento.Em algumas semanas, em segredo, todos a amariam por dentro. 
Permalink Capítulo 1 (A morte da Sereia)
Trilha sonora deste capítulo:  Song of Myself - Tuomas Holopainen

“Um garoto sem nome de homem, Um Espantalho abandonado, Uma prostituta sem um corpo, Um anjo sem asas E um silêncio muito torto”:
“Heterônimos fracassados apreciando o bico do corvo”

Havia uma história antes de tudo. Cinco seres distintos sofriam por algo não palpável. Sofreram por tentar encontrar algo que não existia mais… Pelo menos não para eles. O Espantalho jazia sem esperanças de encontrar a sereia que nunca lhe deu atenção, sucumbiu cada uma de suas razões e teve toda sua sanidade morrendo na beira da praia. Como se um destino virando as costas para toda a paciência do acusado “sem coração”, a culpa cegava seus olhos enquanto a sereia se alimentava dos versos de um poeta que mal tinha palavras para viver.
O Espantalho e todos os outros demoraram para perceber, quando o desespero finalmente trouxe à tona o que nenhum deles até então podia ver:
A sereia precisava morrer.
Cinco seres: Um anjo sem asas, um espantalho, uma lasciva cortesã, um garoto mudo e um, embora materializado, Silêncio adormecido.
-Qual de nós pode ir até o fundo do mar?  - perguntou o Anjo incomodado com a quantidade de areia em seus coturnos.
-Precisamos mesmo matá-la? - resmungou Espantalho sentado com os olhos fixos no firmamento.
O garoto mudo apenas sorria correndo de um lado para o outro e rolando na areia.
-Melissa? Qual a sua opinião? - O anjo lançou os olhos enquanto ajeitava o cabelo a favor do vento. A cortesã permanecia sentada enquanto acariciava o rosto do Silêncio que jazia adormecido com a cabeça em seu colo.
-Teoricamente só um de nós pode ir até o fundo. Meu único medo é que ele não volte. - Melissa apontou com os olhos para o Silêncio que dormia profundamente.
-Acho inviável. Não podemos confiar nele, não há como saber o que ele fez de fato, nunca saberemos se ele realmente a destruiu ou quem sabe até se ele a encontrou de fato. - Espantalho se levantou sem tirar a areia do corpo - Precisamos de outra opção.
-Talvez nos livrarmos do seu egoísmo? - sugeriu Melissa com sinceridade na voz.
-Quem sabe.. - Com melancolia, o Espantalho observava sem muita atenção o Anjo ajudando o garoto mudo a se levantar de um tombo. A face cheia de areia do garoto, arrancou um pequeno sorriso do rosto do Espantalho.
-Vem cá. - Melissa estendia uma de suas mãos - Quando foi que o meu Espantalho se tornou tão sombrio e obscuro?
-Como se algum dia eu tivesse sido outra coisa… - O Espantalho sentou ao lado de Melissa que tocava o seu rosto.
-Eu amo você. - Disse Melissa com um sorriso nos olhos - Faça o mesmo.
O sorriso de palha olhava para o Anjo e o pequeno garoto que brincavam de correr das ondas.
-Quem somos nós? E quem podemos ser? O que pode acontecer depois disso? - questionou Espantalho afundando uma das mãos na areia.
-Somos uma mentira que está morrendo… Temos a opção de alimentar e manter a mentira ou criar uma nova vida à partir da verdade.
-Mas a mentira já não satisfaz nenhum de nós não é mesmo?
-Sim, exatamente. Por isso o Silêncio precisava fazer parte de nós, por isso precisamos confiar nele. Já pensou que se envolver com o seu subconsciente da maneira mais crua possível, pode lhe render novos versos?
-Sim, isso é assustadoramente atraente.
-Tavez você precise adormecer um pouco os seus ideais. - Com um toque em um dos ombros do Espantalho, Melissa persuadiu seu equilíbrio que pousou sua cabeça em seu colo. - Durma um pouco, você precisa descansar.
O Anjo e o garoto mudo olhavam para Melissa que tinha dois homens com as cabeças em seu colo. Melissa esboçou um sorriso de fácil contemplação. Seus olhos brilhavam.
-Silêncio… Silêncio? É a sua vez, meu querido. Precisamos de você. Somente o silêncio conseguirá percorrer o majestoso fundo do Oceano até a parte mais obscura, sem se machucar, sem perder o ar. É de silêncio que o fundo do Oceano é feito. Por isso, precisamos que você vá.
Com movimentos de um sonâmbulo e ainda com os olhos fechados, o Silêncio se ergueu. Sua face inofensiva atraiu o Garoto mudo que correu em sua direção. De olhos fechados, o Silêncio recebeu um abraço. O Garoto mudo pegou a mão do Silêncio e o direcionou para o mar. Passo a passo, cada pedaço de um passo que pouco se expressa tocava a areia praticamente sem som.
-Eu preciso de silêncio. Silêncio para ouvir o mundo. - Uma voz calma e recheada de compreensão. O Silêncio é um homem cego, imune as mentiras da visão que para enxergar se baseia somente no que sente em seu coração.
A primeira onda tocou seus pés. A falta de interação entre o garoto mudo e o Silêncio os afastou.
Com as mãos no bolso de sua jaqueta enquanto o céu se enchia de nuvens, o Anjo suspirou:
-Sem receios, nem arrependimentos… Estes somos nós. Não sabemos como chegamos aqui nem o que fizemos para tal, todavia aqui estamos. Não pergunte e se não quiser não leia. Jaz aqui um rascunho da loucura que absorveu nossa maior obsessão em desaparecer de si mesmo. O cúmulo do afogamento. Afogar-se em si mesmo. Uma mesma mente para nós que somos cinco…
-Mas, juntos, não formamos um inteiro. - interrompeu Melissa.
O Garoto mudo correu com um semblante de preocupação para os braços do Anjo.
-Fique tranquilo. O Silêncio vai voltar.
Como um abraço frio de uma viagem ao subconsciente, as ondas engoliram o Silêncio lentamente até restar somente o barulho do mar…
Permalink IntroduçãoDizem que o silêncio não tem coração,
Que a cor da sua voz é a solidão.
Mas o coração precisa bater,
E o silêncio que fala,
Silencia sua fala,
O contraponto te ajuda a viver.
´
Qual o mistério que um segredo produz?
A conquista de não leva-lo para a luz.
Estar calmo é quase uma excitação,
Ter controle do ato
Deduzir tudo fato
Do silêncio nasce o coração.